Em discurso no ato da Independência em São Paulo, o candidato pelo partido Missão, Renan Santos, elevou o tom contra adversários e instituições. Ao qualificar a hipótese de eleitores migrarem para o escritor Augusto Cury como uma forma de “desistência”, Renan procurou desacreditar tanto o centro quanto as candidaturas já consolidadas, como as de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro.

Além das críticas aos rivais, Renan direcionou ataques a autoridades do Judiciário e da investigação federal: pediu a saída dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal, do procurador-geral Paulo Gonet e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O candidato exigiu a “abertura da caixa-preta” do Banco Master e o aprofundamento das apurações, reagindo às recentes menções da PF sobre possíveis conexões no caso.

O cenário eleitoral dá contexto às investidas. A pesquisa Quaest divulgada nesta segunda aponta Lula com 36% e Flávio com 29%; Augusto Cury aparece em terceiro com 8%, enquanto Renan e Ronaldo Caiado empatam com 3% — números que transformam a disputa pelo terceiro lugar em alvo central de pressão entre os candidatos. Esses dados acendem alerta para candidaturas menores que tentam subir pelo desgaste dos líderes.

Do outro lado, Augusto Cury buscou nesta segunda distância institucional e projeção política: enalteceu o ministro André Mendonça, defendeu que o STF deve investigar eventuais indícios de corrupção e se solidarizou com outros magistrados. Em suas propostas econômicas, o candidato do Avante anunciou foco em microempresas, prometendo políticas de crédito e iniciativas locais de apoio ao empreendedorismo em escolas públicas.

O confronto expõe duas consequências políticas claras. Primeiro, a fragmentação do eleitorado antiestablishment tende a intensificar ataques pessoais e institucionais numa disputa de baixa margem para o terceiro lugar. Segundo, ao envolver autoridades do Judiciário e da PF, a retórica levanta o risco de politização das investigações e de desgaste institucional — um tema que pode cobrar preço político tanto de quem acusa quanto de quem é alvo, dependendo do avanço das apurações.