O quarto colocado Renan Santos afirmou, em transmissão após a apuração do primeiro turno, que não dará apoio a nenhum dos candidatos que seguem para o segundo turno. A declaração reduz a capacidade de construção de blocos eleitorais centralizados e anuncia que parte dos 2,67 milhões de votos obtidos por ele tende a se dispersar. Renan repetiu críticas a ambos os finalistas e disse que seus eleitores têm liberdade para escolher — postura que fragiliza qualquer tentativa de negociação imediata que pudesse deslocar parte do eleitorado de forma organizada.
No mesmo âmbito, o PSD do quinto colocado, Ronaldo Caiado, optou por caminho oposto: liberar os diretórios estaduais para que dirigentes locais decidam eventual apoio entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. A legenda soma 2,60 milhões de votos, e a decisão do presidente do partido, Gilberto Kassab, justifica-se pela diversidade de cenários regionais citada pela direção nacional. A estratégia devolve poder às instâncias locais, mas também fragmenta a influência do PSD, transformando seu eleitorado em um ativo menos coordenado e, portanto, de menor valor de barganha nacional.
A leitura política é direta: juntos, Renan e Caiado totalizam cerca de 5,2 milhões de votos — mais do que a diferença de 2,22 milhões entre Flávio Bolsonaro (47,03%) e Lula (45,16%). Em tese, esse universo poderia ser decisivo para reduzir a vantagem do primeiro colocado. Na prática, a recusa de Renan em declarar apoio e a autonomia dada pelo PSD às bases reduzem a probabilidade de transferência concentrada de votos. Isso amplia a incerteza para ambos os finalistas e remete a uma disputa por capilaridade estadual, não por acordos nacionais claros.
Politicamente, a combinação de um candidato que se omite e um partido que descentraliza a decisão acende um alerta para a campanha de ambos os lados: será preciso investir mais em mobilização local e em negociações ponto a ponto com lideranças estaduais. Para o governo e a oposição, o desafio será transformar afinidades pontuais em votos efetivos na urna do segundo turno. O resultado das próximas semanas indicará se os 5,2 milhões se distribuirão majoritariamente para um dos candidatos ou se permanecerão pulverizados, mantendo a margem do primeiro colocado e elevando a imprevisibilidade do desfecho.