O Ministério Público Federal apresentou ação civil pública na segunda-feira pedindo indenização de R$ 500 mil por danos morais coletivos em razão de publicações nas redes sociais atribuídas ao candidato à Presidência Renan Santos. O MPF aponta que 14 etnias do Baixo Tapajós — cerca de 22 mil pessoas em Santarém, Belterra e Aveiro — foram atingidas por declarações consideradas discriminatórias e por questionamento da identidade étnica das comunidades.

Em vídeo divulgado nesta quarta, o presidenciável qualificou a medida como 'bizarra' e afirmou que se trata de tentativa de constrangê‑lo. Renan repetiu a narrativa de que manifestações indígenas são fruto de uma 'política de sabotagem' e disse que ONGs e supostas tribos atuariam para atrapalhar o desenvolvimento. A crítica ocorreu também no 11º Fórum CNT de Debates, onde ligou parte da mobilização a atores políticos ligados ao petismo e ao PSol.

O candidato prometeu reação institucional: além de CPI para investigar supostos financiadores de protestos, anunciou fiscalização rigorosa de entidades nacionais e internacionais e afirmou que organizações ilegais e políticos poderão ser banidos do país. A tese transforma uma disputa jurídica em elemento central da sua campanha e reforça a polarização sobre políticas na Amazônia.

Politicamente, a ação do MPF e a resposta de Renan têm efeito duplo: para o órgão, é uma tentativa de afirmar limites legais contra discurso discriminatório; para o candidato, é combustível para mobilizar base e denunciar perseguição. O episódio acende alerta sobre como litígios judiciais podem extrapolar o tribunal e alterar o tom do debate eleitoral, ampliando desgaste institucional e complicando a narrativa pública nas semanas decisivas da campanha.