Em discurso no 11º Fórum CNT de Debates, o candidato à Presidência pelo partido Missão, Renan Santos, reagiu à ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal que o acusa de postar declarações discriminatórias contra 14 etnias do Baixo Tapajós (PA). O MPF pediu indenização de R$ 500 mil por danos morais coletivos, a retirada imediata das publicações, proibição de conteúdos ofensivos, multa diária de R$ 3 mil em caso de descumprimento, e medidas de reparação, como retratação em vídeo de no mínimo 2 minutos e 57 segundos e campanha educativa de seis meses.

Renan qualificou a iniciativa do MPF como uma tentativa de sabotagem e defendeu que suas críticas não configuram racismo, ao mesmo tempo em que atribuiu às mobilizações indígenas reação a interesses eleitorais e a estímulos de representantes ligados ao petismo e ao PSOL. No mesmo evento, atacou o Ibama e o ICMBio, propondo transformar o licenciamento ambiental em procedimento mais consultivo para facilitar obras de infraestrutura, e pediu que o próximo presidente indique ministros no STF comprometidos com segurança jurídica.

Do ponto de vista político, a disputa abriu duas frentes: a legal, com risco concreto de multa, retratação forçada e restrições de comunicação; e a eleitoral, porque a estratégia de confronto com órgãos ambientais e setores das comunidades indígenas pode consolidar apoio entre parte do eleitorado conservador preocupado com obras e infraestrutura, ao mesmo tempo em que amplia desgaste junto a eleitores moderados e gera exposição negativa na imprensa e entre organizações sociais.

A ação do MPF — baseada em publicações e manifestações vinculadas a protestos e à ocupação de um terminal da Cargill em Santarém — torna o episódio um tema de campanha com consequências práticas. Além do custo financeiro pleiteado, a exigência de retratação pública e as medidas de reparação podem limitar a movimentação do candidato nas redes sociais e transformar um posicionamento tático em problema jurídico e de imagem nos meses que antecedem a eleição.