O candidato à Presidência pelo Partido Missão, Renan Santos, anunciou nesta quinta que levará à Justiça Eleitoral uma ação para anular o aumento do Bolsa Família para R$ 691, medida divulgada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em vídeo publicado em rede social, Renan argumentou que alterar benefícios em ano de disputa configura infração eleitoral e apresentou a iniciativa como resposta jurídica e política ao governo.

Renan acusa o governo de usar o reajuste como instrumento de captação de votos e disse que seu partido está preparando a peça a ser protocolada na corte eleitoral. A denúncia expõe, no campo político, um confronto direto sobre o timing da medida: para o candidato do Missão, o anúncio em plena corrida eleitoral transforma política social em ferramenta eleitoral, enquanto o Palácio do Planalto tem defendido reajustes como resposta a pressões sociais e econômicas — posicionamento que já vinha gerando debate público.

No discurso, o presidenciável também criticou concorrentes que tratariam o Bolsa Família como um 'direito adquirido', afirmando que isso transferiria custos ao trabalhador e dificultaria ajustes futuros. Renan propôs restringir o benefício a pessoas sem condição de trabalho e criar uma 'frente de trabalho' para incluir aptos ao mercado, fórmula que reforça seu posicionamento conservador e liberal na agenda social e fiscal.

A movimentação judicial anunciada pelo candidato tende a polarizar ainda mais a pauta social na campanha. Além de testar limites da legislação eleitoral sobre medidas assistenciais em ano de eleição, a disputa pode trazer custo político para o governo — que terá de justificar o momento e o impacto fiscal do reajuste — e obrigar opositores a definir se buscam reparo jurídico ou travam o debate no terreno político. Em curto prazo, a estratégia do Missão busca transformar o ato do Executivo em elemento de campanha.