Durante o debate entre presidenciáveis promovido pela Band neste domingo (23/8), o candidato Renan Santos (Missão) fez duras críticas à ausência de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Na visão do presidenciável, a falta dos dois ao encontro foi desrespeitosa com eleitores e revelou receio diante das questões de segurança pública.

Santos não se limitou à censura: classificou os ausentes como covardes e vinculou a postura deles à omissão frente ao avanço do crime organizado. A fala buscou explorar o vácuo deixado pela ausência dos principais nomes e reposicionar seu discurso como linha-dura na área de segurança.

Como soluções, o candidato apresentou três medidas centrais: declarar estado de defesa em áreas dominadas por facções; autorizar operações em GLO e construir superpresídios; e intensificar a integração entre forças estaduais e federais, com ameaça de intervenção nos estados que, segundo ele, se recusarem a agir.

Politicamente, o discurso é uma tentativa clara de capitalizar eleitores favoráveis a políticas de mão pesada. Institucionalmente, porém, as propostas acendem um alerta: estados podem resistir, o Supremo e o Congresso terão papel central em limitar ações federais e a promessa de intervenções pode gerar longas batalhas jurídicas e políticas.

No curto prazo, a ausência de Lula e Flávio no debate abriu espaço para ataques diretos e para a ampliação da pauta da segurança. Resta ver se a retórica de Santos se traduzirá em apoio concreto nas urnas ou se esbarrará nos limites legais e na reação de atores estaduais e do Judiciário.