Na sabatina promovida pelo Correio Braziliense e pela TV Brasília, o candidato à Presidência pelo partido Missão, Renan Santos, afirmou que o primeiro passo para sua proposta de reforma do Judiciário seria o afastamento de um ministro do Supremo Tribunal Federal. Segundo o candidato, manter a atual composição da Corte é insustentável porque, na sua leitura, decisões estariam sendo guiadas pelo desejo de impunidade. A declaração elevou o tom do debate e marcou uma ofensiva direta contra o Supremo.

Renan detalhou mudanças estruturais: mandatos limitados a oito anos, vedação a decisões monocráticas e a criação de um mecanismo específico para julgar casos envolvendo políticos. Na sua proposta, processos contra parlamentares seriam analisados por desembargadores sorteados por mandatos curtos e sem conexão com o estado de origem, para reduzir alegações de perseguição. Também defendeu filtros de entrada no STF para impedir que partidos, ONGs ou sindicatos levem qualquer tema à Corte.

No plano político, o candidato admitiu que precisará formar vasta coalizão para viabilizar sua agenda — inclusive alterações constitucionais — e reconheceu a limitação natural de um partido pequeno no Congresso. Em tom irônico, saudou o deputado Kim Kataguiri como referência de qualidade, mas disse que será necessário eleger muitos representantes e negociar em ambientes onde emendas parlamentares e cargos continuam a ditar convergências. Renan também reafirmou propostas sobre Previdência e afirmou posicionamentos contrários tanto ao PT quanto ao bolsonarismo.

As propostas de Renan combinam denúncia ao Judiciário com tentativa de transferir decisões políticas para o Parlamento, o que tende a acender alerta sobre a separação dos poderes. Do ponto de vista prático, alterações como limitação de mandatos e corte de decisões monocráticas exigem ampla negociação constitucional e esbarram em resistências institucionais. A retórica forte pode atrair eleitores insatisfeitos com o Judiciário, mas também amplia o desgaste político e complica a governabilidade em um Congresso que ainda preserva instrumentos como as emendas impositivas.