O candidato à Presidência pelo partido Missão, Renan Santos, afirmou em entrevista à TV Globo na noite de quarta-feira (26) que pretende promover mudança constitucional para permitir que o Brasil desenvolva armas nucleares. Segundo ele, a opção seria necessária para que o país conquiste 'respeito' em cena internacional e se coloque à altura de potências como EUA, China, Rússia, Índia e Coreia do Norte.
Na mesma entrevista, Renan citou a Coreia do Norte como exemplo de nação 'respeitada' por ter capacidade nuclear e comparou a situação com a Venezuela, cuja menção envolveu uma narrativa sobre intervenção externa que o candidato associou à ausência dessa capacidade. As declarações reproduzem uma visão geopolítica em que o armamento de grande magnitude seria instrumento de dissuasão e prestígio.
A proposta enfrenta obstáculos imediatos: tratar-se-ia de emenda constitucional, dependente do apoio expressivo no Congresso, além de implicar conflito com regras de bloco regional. O próprio Mercosul prevê compromissos de desnuclearização entre os membros, um ponto que Renan declarou não considerar obrigatório para sua estratégia — afirmação que coloca a iniciativa em rota de colisão com compromissos multilaterais e com prováveis consequências diplomáticas.
Além do impacto internacional, a ideia levanta questões práticas e institucionais: custos imensos, necessidade de infraestrutura especializada, fiscalização, possíveis sanções e isolamento, e debate sobre controle civil e militar. Politicamente, a proposta tende a ser controversa e pode ser usada por adversários para questionar a seriedade e a viabilidade do projeto de governo apresentado pelo candidato.
Em termos eleitorais, a defesa pública de alterar a Constituição para permitir armas nucleares transforma-se em tema de campanha: não é apenas uma promessa técnica, mas um sinal sobre prioridades e estilo de governação. Resta saber se a proposta supera objeções legais e políticas e como será recebida por aliados, Congresso e parceiros internacionais.