Renan Santos, candidato do partido Missão à Presidência, participou nesta terça-feira (18/8) do encontro com presidenciáveis da União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços e detalhou propostas duras em segurança pública e trabalho. Na coletiva, afirmou que pretende reduzir a maioridade penal para todos os crimes violentos e retirar a maioridade nos chamados crimes hediondos, além de defender o slogan de campanha “Prendeu matou”.

O candidato também propôs promoção de militares que matarem alvos em operações policiais e justificou a medida como resposta ao controle territorial de facções e à coação de menores para atuação criminosa. No campo econômico, anunciou intenção de alterar a Consolidação das Leis do Trabalho para permitir regime por hora trabalhada, numa tentativa de flexibilização que, segundo ele, reduziria custos e informalidade.

As propostas acendem alerta político e jurídico. A redução da maioridade e a promoção de agentes que usem força letal devem provocar questionamentos de constitucionalidade e reações de organismos de direitos humanos, além de potencial desgaste entre setores do Judiciário e parte do eleitorado preocupado com garantias e com o Estado de direito. No plano eleitoral, a aposta em hardline de segurança pode mobilizar votos em segmentos penalizantes, mas também complicar a formação de alianças moderadas e o diálogo com investidores sensíveis a riscos institucionais.

Para avançar, mudanças como as sugeridas exigiriam alterações legais e, possivelmente, emendas constitucionais, abrindo disputas no Congresso e no Supremo. O quadro traçado por Renan Santos reforça o posicionamento de segurança como eixo de campanha, mas também expõe o candidato a custos políticos e jurídicos que precisam ser contabilizados por quem pretende transformar retórica em governabilidade.