Em vídeo divulgado nas redes nesta quarta-feira (28/10), o ex-candidato Renan Santos (Missão) ironizou a presença do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nos Estados Unidos e classificou a postura do parlamentar como uma “oposição EaD” — feita à distância, da Flórida. Flávio, que viajou com a família, disse ser uma espécie de presidente alternativo e afirmou que o segundo turno foi fraudado, posicionamento que provocou reação imediata no campo adversário.
Renan criticou o que chamou de fuga e de tentativa de transformar o episódio em espetáculo internacional: segundo ele, Flávio passou a agradecer publicamente a aliados nos EUA e a se projetar como comando de um governo paralelo a partir de solo americano. No vídeo, o ex-candidato também relativizou a tese da fraude, dizendo que a disputa foi reconhecida pela maioria dos países e que a internacionalização do tema não altera a realidade política no Brasil.
O comentário buscou expor uma contradição política: Renan lembrou que Cristiano Zanin, ministro do STF e ex-advogado de Lula, teve sua nomeação aprovada com o voto favorável de Flávio na sabatina do Senado. Para Renan, a postura atual de contestação absoluta contrasta com decisões anteriores do próprio senador e amplia a narrativa de incoerência.
Do ponto de vista político, a manobra de transferir a disputa para o exterior tem custo. A mobilização de base e a capacidade de manter coesão interna podem ser prejudicadas quando a liderança opta pela atuação distante, enquanto figuras oposicionistas no país seguem operando normalmente. Renan ainda observou que contar com apoio externo, inclusive de aliados como Donald Trump, é arriscado: parcerias internacionais têm interesses próprios e não costumam proteger aliados que perdem força.
Na avaliação de Renan, a democracia brasileira não corre risco prático com a iniciativa, mas o episódio coloca o PL em um momento delicado de imagem e coerência. A autoproclamação e a internacionalização do discurso expõem fissuras na estratégia da oposição, dificultam a construção de narrativa unificada e aumentam a pressão por uma resposta consistente do partido e de seus líderes.