Renan Santos inaugurou a campanha presidencial no Largo São Francisco, em São Paulo, em um ato marcado por tom agressivo e demonstrações de segurança pessoal: o candidato vestiu um colete à prova de balas, justificando a medida pela existência de ameaças que, disse, foram comunicadas à Polícia Federal. No discurso, direcionou ataques duros ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao pré-candidato Flávio Bolsonaro, responsabilizando-os pela situação do país e utilizando linguagem que reforçou a polarização.

Ao relacionar o PT a políticas que, segundo ele, deixaram o Brasil em condição de dependência e à necessidade de assistência social, Renan buscou associar o rival a um quadro de declínio econômico e moral. Sobre Flávio Bolsonaro, afirmou vínculos com organizações criminosas do Rio e criticou o que classificou como hipocrisia política do PL. A campanha também traçou uma tática prática: mobilizar militância para convencer eleitores, estender apoio a candidaturas proporcionais e intensificar ação nas redes sociais como instrumento central de disputa.

O tom do ato combinou ataque retórico e apelos à ação direta. Coordenadores e o vice reforçaram a ideia de uma campanha de rua, com palavras de ordem reproduzidas pela militância e recomendações explícitas de uso de materiais de propaganda como instrumento de pressão. A menção a repressão severa às facções e o discurso que prometeu medidas drásticas contra criminosos chamaram atenção pela violência implícita no enunciado, o que tende a gerar reações contrárias de setores moderados e organismos de defesa dos direitos civis.

Politicamente, a estratégia tem dupla leitura: por um lado, pode energizar um núcleo duro de eleitores preocupado com segurança e ordem; por outro, amplia riscos eleitorais e institucionais. A retórica beligerante pode afastar eleitores de centro, complicar costuras com potenciais aliados e sujeitar a campanha a escrutínio judicial e midiático. Resta saber se a aposta em confronto e mobilização agressiva nas ruas e nas redes se traduzirá em expansão de intenções de voto ou em desgaste político que limite a construção de uma base parlamentar e nacional viável para 2026.