O presidenciável Renan Santos (Missão) lançou sua campanha no sábado com tom combativo: atacou adversários do campo à esquerda e à direita, apresentou propostas econômicas e de segurança e formalizou a chapa com o tenente-coronel da reserva Aroldo Medina. A retórica agressiva dominou o evento, que também incluiu comercialização de ingressos e kits de alto padrão.

Na área de segurança, Renan afirmou que pretende adotar medidas extremas contra criminosos, em tom que indica apoio a punições sem rodeios. O posicionamento choca com a Constituição, que veda a pena de morte entre as chamadas cláusulas pétreas, e pode gerar embate jurídico e desgaste político imediato para a campanha.

No plano econômico, o candidato defendeu ajuste fiscal e proteção à exploração de minerais estratégicos, como terras raras. Politicamente, o candidato tenta se diferenciar com discurso duro, mas pesquisas mostram espaço limitado: segundo levantamento Atlas/Bloomberg, Renan aparece em terceiro lugar com 7,8% das intenções, enquanto Lula tem 49,2% e Flávio Bolsonaro 42,9%, sinais de que a candidatura ainda patina em capilaridade.

O lançamento também teve episódios simbólicos e mercadológicos: venda de ingressos de até R$ 7 mil, oferta de souvenirs e uma edição especial do programa do partido destinada a patronos. A mistura de insultos, pedidos de perdão pontuais e propostas controversas expõe contradições que podem reduzir atração além do nicho punitivista e ampliar o custo político da campanha.