O pré-candidato Renan Santos reagiu publicamente à decisão do ministro André Mendonça que autorizou a Polícia Federal a investigar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, por suspeitas de tráfico de influência e corrupção. Em vídeo divulgado nas redes, Renan relacionou a nova frente da PF às provas que surgiram na Operação Sem Desconto, responsável por abrir caminhos de apuração ligados a irregularidades no INSS, e citou nomes ligados ao caso, como o chamado 'Careca do INSS'.

Santos evitou tratar o episódio apenas como ataque ao governo e ampliou a crítica ao cenário político: para ele, as investigações devem atingir igualmente pessoas próximas ao presidente e adversários. Como exemplo de que não deve haver tratamento diferenciado, mencionou o caso do Banco Master, ligado ao senador Flávio Bolsonaro, e pediu que autoridades atuem sem seletividade. Ao finalizar, afirmou que pretende confrontar nas urnas e nos debates atores de ambos os lados.

A declaração tem dupla leitura política. Por um lado, reforça um posicionamento anticorrupção que busca capitalizar desgaste público e ampliar a visibilidade do pré-candidato para 2026. Por outro, expõe um risco: transformar investigações em instrumento de campanha pode alimentar a percepção de instrumentalização política das apurações e energizar defensores do governo contra acusações externas. Importante esclarecimento técnico do próprio material-base: a nova investigação sobre Lulinha não trata diretamente das fraudes nas concessões do INSS, embora tenha origem em provas obtidas pela Operação Sem Desconto.

No capítulo institucional, o enfoque de Renan aumenta a pressão sobre órgãos como a PF e o STF para que mantenham critérios uniformes de investigação, sob pena de alimentar narrativas de impunidade ou de perseguição. Politicamente, a fala tende a acender um debate sobre igualdade de tratamento entre partidos e figuras de alto perfil, ao mesmo tempo em que reposiciona o pré-candidato no espectro eleitoral como uma alternativa que pretende se diferenciar tanto do lulismo quanto do bolsonarismo.