O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) voltou a pedir, nesta segunda-feira, o afastamento dos ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, na esteira das revelações sobre contatos com o ex‑banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Em entrevista antes de participar de um debate, o presidenciável também exigiu a abertura dos sigilos dos processos relacionados ao caso.
A declaração ocorreu às vésperas da sessão do STF que decide se haverá investigação sobre Moraes diante das suspeitas envolvendo Vorcaro. Renan criticou o que chamou de vazamentos seletivos e afirmou que, enquanto a controvérsia não for esclarecida, não pretende aceitar automaticamente decisões provenientes desses ministros, postura que ele apresentou como instrumento de pressão e 'pacificação' política.
Politicamente, o discurso amplia a tensão entre Poder Executivo e Judiciário ao transformar uma disputa judicial em elemento central da campanha. Cobrar afastamento e expor sigilos pode revelar fatos relevantes, mas também tende a intensificar polarização e a corroer normas de acatamento institucional — principalmente se a estratégia for usada para deslegitimar decisões já tomadas. Para o Palácio e para o próprio STF, a movimentação do candidato acende alerta sobre o custo político de novas contendas públicas com a Corte.
No campo eleitoral, a iniciativa tem duplo efeito: por um lado, mobiliza eleitores que já desconfiam do Judiciário; por outro, coloca Renan em rota direta de choque com instituições, o que pode dificultar alianças e reforçar críticas sobre risco de desrespeito a decisões judiciais. O desfecho imediato dependerá da sessão do STF que analisa a abertura de investigação contra Moraes, mas o episódio já complica a narrativa institucional e eleva o sinal de disputa para além do debate eleitoral tradicional.