O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) apresentou nesta quinta-feira pedidos de impeachment contra os ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Endereçadas ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), as petições classificam como crime de responsabilidade supostas condutas que teriam beneficiado o empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

No caso de Toffoli, o presidenciável lembra que o ministro foi inicialmente relator do inquérito sobre o Master e renunciou à relatoria em fevereiro de 2026, depois que reportagens ligaram repasses de recursos de empresas associadas a Vorcaro — citando transferências ao menos na ordem de R$ 35 milhões a um resort no Paraná — a interesses vinculados ao próprio magistrado. Renan também recorda que decisões de Toffoli, em especial a suspensão da campanha do candidato por omissão de perfis em redes sociais, tiveram impacto direto na corrida presidencial.

Contra Alexandre de Moraes, o pedido se apoia em trechos do relatório da Polícia Federal, cujo sigilo foi retirado no início desta semana. Renan sustenta que o documento indica a possibilidade de trocas de informações privilegiadas entre o ministro e Vorcaro, chegando a afirmar que Moraes teria atuado como "uma espécie de sócio" do empresário. O candidato ainda alega que a família do ministro recebeu valores relevantes — números mencionados nas peças como próximos a R$ 180 milhões — circunstância que, se comprovada, comprometeria a imparcialidade esperada de um integrante da Corte.

O presidente do Senado concentra a atribuição para decidir sobre o prosseguimento de pedidos de impedimento, e já reagiu publicamente em defesa de Moraes, ao mesmo tempo em que apontou outros episódios de repercussão envolvendo pedidos de recursos para produção de filme — citando, emigmático, montantes na casa dos R$ 130 milhões. A nova ofensiva formaliza um movimento político que amplia desgaste institucional em torno do STF, pressiona o Senado a se posicionar e reforça a caracterização do caso como tema decisivo para o ambiente pré-eleitoral e para a confiança nas instituições.