O candidato do partido Missão à Presidência, Renan Santos, reacendeu nesta quarta-feira (16) o confronto entre Executivo e Judiciário ao pedir, em ato público em Londrina (PR), o afastamento e a prisão de ministros do Supremo Tribunal Federal ligados ao escândalo envolvendo o Banco Master. A fala, dirigida a apoiadores, não se restrigiu à punição de nomes: ele também defendeu mudanças estruturais nas regras de indicação e no alcance das decisões individuais da Corte.
Santos vinculou a crise no STF à necessidade de nomeações com “reputação ilibada”, criticando o que chamou de práticas comerciais dentro da Corte e propondo critérios mais rígidos para evitar conflitos de interesse. Em tom de campanha, sugeriu que o próximo presidente teria legitimidade para pressionar o Senado e a sociedade a afastarem ministros que, segundo ele, estejam comprometidos. A posição amplia a pressão política sobre perguntas centrais à separação de poderes e ao funcionamento das instituições judiciais.
O episódio ocorre logo após o julgamento sobre a abertura de investigação das relações do ministro Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e no mesmo momento em que o presidente do STF, Edson Fachin, avalia assumir processos envolvendo o caso e o INSS na tentativa de conter a crise. A proposta de Santos, ao misturar sanções criminais e mudança estrutural, tende a complicar o ambiente institucional, forçando o Senado a decidir entre adotar uma postura de fiscalização mais agressiva ou resistir a pressões que podem ser interpretadas como politização do Judiciário.
Do ponto de vista eleitoral, a posição do presidenciável tem duplo efeito: consolida uma narrativa de combate à suposta corrupção no alto escalão do Judiciário para parte do eleitorado conservador, mas também aumenta o risco de desgaste institucional e de acusações de excessos por parte de críticos que defendem o respeito às garantias legais e ao devido processo. Na prática, a proposta abre um dilema para o jogo político — equilibrar resposta firme a denúncias plausíveis sem transformar a punição em instrumento de disputa política — e deixa claro que a crise no STF terá reflexos diretos na agenda e na retórica da campanha rumo a 2026.