Em vídeo publicado nas redes sociais nesta segunda-feira (1º), o pré-candidato à Presidência Renan Santos afirmou que vencerá a eleição e que derrotaria o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em debates. O pronunciamento ocorreu no mesmo dia em que o instituto Real Time Big Data o colocou em terceiro lugar nas intenções de voto, com 6%. Santos destacou a evolução do percentual em relação a levantamentos anteriores e questionou a metodologia do instituto.
Ao comentar o levantamento, o dirigente do Movimento Missão disse não concordar com os critérios usados pelo Real Time Big Data, mas celebrou o suposto “duplicar” de sua pontuação — de 3% para 6% — e a diferença que projeta em um eventual segundo turno. Na mesma publicação, apresentou propostas de campanha e adotou tom beligerante ao tratar da segurança pública, usando linguagem que sinaliza apoio a medidas extremamente duras contra criminosos.
A leitura política do episódio é dupla. Por um lado, a pesquisa sinaliza uma trajetória de crescimento relativa, mas ainda em patamar modesto; por outro, a crítica aberta ao instituto e o uso de retórica extrema são uma aposta para consolidar identidade e mobilizar eleitorado mais radicalizado. A tentativa de desqualificar a metodologia pode ser também uma estratégia para neutralizar leituras adversas sobre força eleitoral.
Num cenário mais amplo, a postura de Renan Santos tende a obrigar adversários a reagir e a atrair atenção da mídia, mas traz riscos concretos: o discurso duro pode afastar eleitores moderados, elevar questionamentos institucionais e dificultar possíveis alianças. Os próximos levantamentos e a repercussão jurídica e política dessas declarações vão definir se o crescimento se traduzirá em viabilidade eleitoral.