O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) defendeu em Brasília a revisão profunda das regras trabalhistas e apresentou como eixo central a adoção de um regime baseado na remuneração por hora trabalhada. Segundo ele, a Consolidação das Leis do Trabalho não acompanhou transformações do mercado desde a década de 1940 e precisa ser atualizada para responder a novas modalidades, como trabalho intermitente e atividades digitais.

Entre as propostas anunciadas estão a criação de um regime definido pela hora trabalhada, desoneração de contribuições no início da trajetória profissional e redução das alíquotas previdenciárias com o objetivo declarado de ampliar a formalização. Renan também criticou o padrão de judicialização nas relações de trabalho e chegou a propor que disputas possam migrar para a Justiça comum, além de insinuar o fim da Justiça do Trabalho — críticas feitas sem apresentação de dados que embasem os custos citados.

A agenda reúne elementos típicos de propostas liberalizantes: flexibilidade, redução de encargos e estímulo à contratação. No entanto, também abre espaço para questionamentos sobre perda de proteção a trabalhadores, risco de precarização e aumento da assimetria entre empregadores e empregados. Politicamente, a iniciativa pode atrair apoio empresarial, mas provavelmente encontrará resistência de sindicatos, juristas e setores mais sensíveis a direitos trabalhistas, além de enfrentar obstáculos legislativos e jurídicos.

Do ponto de vista prático, reduzir contributos no início da carreira pode diminuir o custo de contratação e, em tese, favorecer formalização — efeito que depende, porém, de regras claras e de fiscalização. Limitar o acesso à Justiça especializada tende a reduzir litígios, mas também pode fragilizar mecanismos de defesa de direitos. A proposta de Renan entra no debate público como ponto central da campanha e exigirá detalhamento técnico, dados e respostas às dúvidas sobre eficácia e consequências sociais.