O presidente do partido Missão e pré-candidato à Presidência, Renan Santos, provocou o senador Flávio Bolsonaro no X neste domingo, ao responder a uma publicação do parlamentar sobre o jogo da seleção brasileira cobrando a devolução de uma casa ligada ao atacante Richarlison. A resposta, curta e direta, converteu uma mensagem futebolística numa investida política que ganhou repercussão instantânea.
A alusão de Renan remete ao imbróglio em torno de uma mansão em Angra dos Reis avaliada em cerca de R$ 10 milhões, que voltou ao noticiário depois de comentários da advogada imobiliária Ana Paula Zantut. O próprio jogador confirmou nas redes sociais que teria desembolsado valor na casa e afirmou não ter sido ressarcido, reacendendo questionamentos sobre a negociação e sobre a posse do imóvel.
Tecnicamente, o caso discute posse versus propriedade. Em 2022 o advogado Willer Tomaz — referido na cobertura como amigo de Flávio Bolsonaro — obteve a posse da mansão e conquistou na Justiça a reintegração do imóvel, embora o registro de propriedade continue em nome do atleta. A legalidade dessa transferência é contestada por alegações de que uma representante da empresa que detinha a posse foi induzida a erro ao assinar o contrato de cessão de direitos.
Flávio Bolsonaro tem sido citado em decorrência da relação com Willer Tomaz e pela indicação de seu nome como testemunha no processo, mas o senador afirmou que não teve qualquer participação na operação. Em nota, ele negou ter comprado, vendido, intermediado ou mantido vínculo com o imóvel, classificando as ligações como infundadas e com motivação eleitoral, e dizendo que foi apenas indicado como testemunha pela empresa ligada ao atleta.
Além do episódio jurídico, a troca pública expõe um risco político para Flávio: transformar uma controvérsia patrimonial em munição de adversários em ano pré-eleitoral tende a aumentar o escrutínio sobre seus círculos de confiança. Para Renan, a investida rende visibilidade e permite associar o rival a uma disputa que envolve dinheiro e imagem pública. Num cenário em que narrativas se definem nas redes, o episódio complica a narrativa oficial e exige respostas que podem ter efeitos políticos reais.