O presidente nacional do Republicanos, deputado Marcos Pereira, tratou como encerrado o episódio sobre a eventual candidatura do senador Cleitinho Azevedo ao governo de Minas Gerais. Em declaração a jornalistas após a convenção nacional do partido nesta terça-feira (4/8), Pereira disse que a questão está resolvida e que não voltaria a comentá‑la, após a decisão do Republicanos de manter neutralidade na disputa presidencial.
O descompasso entre as lideranças ficou exposto no próprio evento: Cleitinho reafirmou aos jornalistas que pretende concorrer ao governo mineiro, um dia depois de publicar vídeo em que anunciou a desistência. O senador justificou o recuo momentâneo por dúvida pessoal e luto pela morte do irmão, disse ter consultado a família e afirmou que tentou impedir a publicação do material. Segundo o parlamentar, havia a intenção de conversar com Pereira para reverter o recuo, mas não há, até o momento, agenda confirmada entre os dois.
A neutralidade nacional — justificativa dada por Pereira com apoio de 17 diretórios estaduais, contra nove que defendiam apoio a Flávio Bolsonaro e apenas um favorável a Lula — tem efeitos concretos. Na prática, dificulta costuras nacionais para a candidatura de Flávio e torna inviável, hoje, a indicação de Daniella Marques como vice na chapa bolsonarista. Ao mesmo tempo, o presidente do Republicanos disse que os estados ficam livres para definir apoios locais, mas reafirmou que coligações são pensadas para a eleição inteira.
O episódio expõe uma tensão entre decisão partidária e vontade de lideranças regionais, num momento em que o calendário eleitoral se aproxima do fim das convenções. A postura pública de Pereira, ao dar o tema como "página virada", procura encerrar a disputa interna, mas deixa no ar um sinal de desgaste e fragilidade na articulação do Republicanos para 2026 e para estruturas estaduais, sobretudo em Minas Gerais.