O Republicanos anunciou nesta terça-feira (4/8) que manterá posição oficial de neutralidade na disputa presidencial. A decisão foi tomada após consulta aos diretórios estaduais e confirmada em nota da direção. Mesmo assim, líderes da legenda romperam a imagem de isenção: o presidente do partido, deputado federal Marcos Pereira (Republicanos-SP), declarou publicamente apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao falar durante a convenção estadual em São Paulo no último sábado (1º).

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) seguiu a mesma linha ao divulgar vídeo nas redes sociais e enviar material à imprensa, dizendo respeitar a deliberação da executiva, mas deixando claro que seu voto será para Flávio. Damares lembrou sua participação na construção do projeto presidencial do senador desde a pré-campanha, alinhamento que reforça o caráter pessoal das declarações.

A dissonância entre a neutralidade formal e as manifestações de dirigentes expõe uma tensão interna: por um lado, a direção busca preservar espaços de negociação e autonomia regional; por outro, lideranças nacionais sinalizam preferência explícita, o que pode minar a coerência da mensagem pública do partido. O gesto de Pereira, além de político, tem efeito simbólico sobre eleitores e aliados, indicando que o Republicanos pode seguir dividido entre disciplina partidária e apoios pessoais.

No plano prático, a situação exige que a legenda gerencie riscos de desgaste com aliados e mantenha controle sobre suas bancadas e executivos estaduais. A discrepância também torna mais complexa a narrativa de neutralidade do centro-direita, numa campanha em que sinais públicos de apoio têm peso para a mobilização e para as costuras eleitorais que se anunciam para 2026.