O Republicanos oficializou nesta quarta-feira (7) o apoio a Flávio Bolsonaro (PL) para o segundo turno das eleições presidenciais, em ato que reuniu nomes da legenda como Tarcísio de Freitas, Damares Alves e Cleitinho Azevedo. O presidente do partido, deputado federal Marcos Pereira, afirmou que a decisão nasce do resultado das urnas, mas deixou claro que há 'particularidades' locais que permitem liberais estaduais optarem por outra orientação.
Pereira destacou que o Republicanos elegeu 41 deputados, sendo 28 em unidades da federação onde Flávio venceu o primeiro turno, e condicionou o apoio: 'não será um cheque em branco'. O dirigente enfatizou a defesa da Constituição, da segurança jurídica e do equilíbrio entre os Poderes, e pediu ao candidato que 'construa pontes' e governe também para quem não votou nele. Flávio agradeceu e afirmou estar 'preparado para a responsabilidade'.
Politicamente, a adesão dá ao PL um reforço organizacional relevante nas bancadas e redutos em que o Republicanos teve desempenho forte, mas a liberação de aliados em estados como Paraíba e Pernambuco acende um alerta sobre a fragilidade de uma coesão nacional automática. A manobra preserva governadores e deputados locais que têm cálculo eleitoral próprio, o que pode limitar a capacidade do bloco de transformar o apoio em mobilização homogênea no segundo turno.
O gesto do Republicanos mistura pragmatismo e cautela: oferece musculatura eleitoral a Flávio, ao mesmo tempo em que impõe salvaguardas políticas e institucionais. Para converter o apoio em voto efetivo e atrair moderados, o candidato terá de traduzir o discurso de unidade em propostas e sinais claros de compromisso com as regras do jogo — caso contrário, parte da aliança tende a permanecer tática e sujeita a ajustes regionais.