O governo brasileiro trata com cautela a reunião marcada para a próxima segunda-feira (31/8) entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer. Será a primeira tratativa direta entre Brasília e Washington desde a entrada em vigor da nova rodada de tarifas americanas, e ocorre na esteira do telefonema entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.

No Planalto, a avaliação é de que o encontro terá caráter exploratório e não há expectativa de um acordo imediato que reverta o chamado 'tarifaço'. Fontes consultadas pela reportagem indicam que a ligação presidencial abriu espaço para retomar o diálogo, mas que a fase ativa de tentar impedir a aplicação das medidas foi encerrada.

A prioridade brasileira será reafirmar a posição de que as tarifas são injustas e desequilibradas, enquanto a delegação nacional tentará entender que caminhos Washington está disposto a oferecer para prosseguir as conversas. A intenção é medir a disposição americana para negociar pontos específicos da relação comercial diante do novo cenário tarifário.

Do ponto de vista político e econômico, a reunião servirá para mapear opções e calibrar a resposta de Brasília. Se não surgir proposta concreta por parte dos EUA, o governo terá de avaliar próximos passos — entre ações diplomáticas, eventuais medidas de retaliação e comunicação política — diante da pressão por resultados visíveis junto ao setor exportador e à opinião pública.