O discurso mais aplaudido na reunião da cúpula do PT, convocada para avaliar o resultado do primeiro turno, veio de uma voz recente no partido: a ex-senadora Kátia Abreu. Recém-filiada, ela não poupou a coordenação nacional e a estratégia de comunicação, exigindo mudanças que, segundo participantes, colocam em xeque a atual forma de conduzir o segundo turno.

Ao fazer o raio‑x do desempenho, Abreu apontou a presença descompassada de dirigentes estaduais de São Paulo na linha de comando — cujo efeito eleitoral, avaliam presentes, foi limitado — e criticou escolhas de agenda que não teriam ajudado a ampliar votos fora da base tradicional. Ela também ressaltou a repercussão negativa de atos de campanha, citando a participação da primeira‑dama ao cantar uma música gospel, movimento que alguns dirigentes interpretaram como apropriador de fé e pouco eficiente para atrair esse eleitorado.

A cobrança por maior protagonismo do vice Geraldo Alckmin foi recebida com aplausos: dirigentes pediram menos ênfase em gestos simbólicos e mais articulação prática para conquistar eleitores em regiões onde o bolsonarismo manteve força. Houve críticas diretas a Edinho Silva, apontado por parte do grupo pela seleção de agendas e por uma comunicação que, na avaliação interna, privilegiou legado em vez de projetar futuro — fator que, segundo os presentes, ajudou a emperrar o avanço no Nordeste e em áreas do Centro‑Oeste e Sul de Minas.

A reunião chegou a ser interrompida com a saída do presidente do partido; os presentes decidiram aguardar o retorno para que as críticas fossem ouvidas. Em seguida, Edinho informou que houve ajuste de rota e que Alckmin terá participação mais visível para ampliar diálogos. Politicamente, o encontro deixa um recado claro: a direção da campanha enfrenta pressão para corrigir rumos rapidamente — um alerta que amplia o desgaste da coordenação e complica a narrativa oficial se não resultar em mudanças táticas efetivas antes do segundo turno.