O governo federal classificou como "falsas" as justificativas apresentadas pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos para a revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti, anunciada na terça-feira (4/8). Washington informou que a medida se deu em razão de uma suposta demora do Brasil em conceder o agrément — a anuência diplomática necessária para a nomeação de Daniel Perez como embaixador americano em Brasília.

Em nota, o Palácio do Planalto reafirmou que segue estritamente o direito internacional e lembrou que a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas não estabelece prazo fixo para a concessão do agrément. O governo brasileiro também apontou que a prática de confidencialidade do procedimento foi rompida, ao afirmar que os Estados Unidos tornaram público o nome do indicado antes de apresentar formalmente o pedido de anuência.

O episódio soma-se a decisões recentes de Brasília de negar vistos a dois funcionários americanos, Riley Barnes e Samuel Samson, avaliados pelo Itamaraty como agentes que teriam vindo ao país com o propósito de questionar a integridade do processo eleitoral. O comunicado do governo ainda ressaltou a existência de sanções individuais de Washington, incluindo cancelamento de vistos para autoridades brasileiras, o que amplia o contexto de atrito entre os dois países.

Além do impacto imediato na relação bilateral, a troca de acusações tem um efeito político doméstico: o Palácio classifica a medida como parte de uma escalada motivada por razões ideológicas, narrativa que o governo usa para galvanizar apoio e criticar intromissão externa às vésperas das eleições. Para a diplomacia, o caso complica a agenda de cooperação e aumenta a pressão por uma resposta calculada que evite maior deterioração das relações comerciais e institucionais com os Estados Unidos.