O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), passou a distribuir camisetas estampadas com mensagens de apoio ao ministro do STF André Mendonça durante atos pró‑Bolsonaro na capital. As peças trazem slogans como "#forçaMendonça" e "O povo brasileiro de bem está com André Mendonça" e foram vistas em eventos ligados às mobilizações do 7 de setembro.
A iniciativa ocorreu em um ato convocado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e se soma ao clima tenso em torno do Supremo. Mais do que simbolismo, a ação do prefeito coloca sob escrutínio a atitude de um chefe do Executivo municipal em declarar publicamente apoio a um integrante da Corte, com efeitos sobre a percepção de independência institucional.
Nos últimos dias, Mendonça deixou a sociedade do Instituto Iter, do qual foi fundador, e declarou a cessão — sem contrapartida financeira — das cotas que estavam em nome dele e da esposa. O instituto prestou serviços à gestão de Ricardo Nunes sem licitação, recebendo R$ 380 mil, segundo apuração, uma informação que agrava o debate sobre a proximidade entre prefeito e ministro.
Do ponto de vista político, o gesto acende dúvidas legítimas sobre conflitos de interesse e aptidão para transparência administrativa. Mesmo sem acusação formal, a relação entre o governo municipal e uma entidade ligada ao ministro exige esclarecimentos públicos: a prefeitura precisa detalhar como e por que a contratação ocorreu, sob risco de arcar com custo político justamente em um momento de questionamento da legitimidade do Judiciário.