O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, durante agenda no Ceará e no Rio Grande do Norte, que "o Rio São Francisco não pertence a um estado, mas ao Brasil". A declaração foi usada para resgatar a transposição como uma intervenção de alcance nacional e marcar a obra como parte do legado do governo.

Lula defendeu a transposição como uma das principais ações hídricas do país e ressaltou que o projeto só avançou após uma decisão política de Estado. No discurso, o presidente vinculou a iniciativa ao combate das desigualdades históricas do Nordeste, argumento com forte apelo simbólico e eleitoral na região.

O Rio São Francisco não pertence a um estado, mas ao Brasil

Do ponto de vista político, a reapresentação da obra busca consolidar autoridade sobre um tema caro à base nordestina e reforçar a narrativa de entrega de infraestrutura. Ao mesmo tempo, reabre o debate técnico sobre manutenção, eficiência administrativa e custos: obras desse porte exigem planejamento contínuo e responsabilidade fiscal para gerar benefícios duradouros.

A afirmação de Lula tende a fortalecer seu vínculo com o eleitorado regional, mas também expõe o governo a perguntas concretas sobre execução e sustentabilidade da intervenção. Mais do que gesto simbólico, a gestão futura da transposição será teste de gestão pública e de capacidade de traduzir promessa política em resultado efetivo para o cidadão.