O ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (PL), foi transferido na manhã de sábado (4/7) para a Penitenciária Federal de Brasília por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. A remoção, que passou pela Superintendência da Polícia Federal no Rio, ocorre no quadro da mais recente fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela PF para apurar suspeitas de vazamento de informações sobre operações policiais a integrantes do Comando Vermelho (CV). A ordem de transferência indica, na prática, uma preocupação das autoridades com a preservação da investigação e com riscos potenciais de interferência enquanto o caso segue em instrução.
Nesta etapa, a Polícia Federal cumpriu 14 mandados de busca e apreensão no Rio e em São João de Meriti, além de três mandados de prisão preventiva — contra o pastor Márcio Pôncio, o contraventor Adilson Coutinho (Adilsinho) e Rodrigo Bacellar. Entre os alvos das buscas esteve o ex-deputado federal Marco Antônio Cabral, alvo de acusações já conhecidas em investigações anteriores. A PF sustenta que apura, entre outros pontos, um possível esquema de lavagem de dinheiro envolvendo a atual cúpula do jogo do bicho e documentou listas atribuídas a Adilsinho que registrariam pagamentos mensais a políticos e doações eleitorais a agentes públicos.
O Supremo também autorizou o sequestro de bens e valores até o limite de R$ 22 milhões, medida que reforça o esforço para quebrar cadeias financeiras supostamente relacionadas ao esquema. Do ponto de vista político, a participação de um ex-presidente da Alerj entre os investigados e sua transferência para uma unidade federal elevam o custo reputacional para o grupo político ao qual pertence e ampliam a pressão sobre agentes públicos no estado. A defesa de Bacellar nega qualquer envolvimento e afirma que ele "não possui mínima vinculação com os fatos apurados"; defesas de outros investigados também rejeitaram as acusações e afirmaram que colaborarão com as autoridades.
O caso coloca em foco a interseção entre política, contravenção e segurança pública no Rio, com implicações institucionais e eleitorais. Para além da dimensão criminal, as apurações podem gerar efeitos políticos concretos: desgaste para figuras associadas ao esquema, necessidade de respostas de partidos e lideranças locais, e pressão por esclarecimentos que atestem independência e eficácia das investigações. A transferência para Brasília é um marco operacional que sinaliza severidade e dificulta eventuais tentativas de influência local, ao mesmo tempo em que amplia o escrutínio público e político sobre a relação entre agentes políticos e organizações criminosas.