A quinta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quinta, reforçou a investigação sobre supostas irregularidades envolvendo o Banco Master. Segundo a apuração, foram cumpridos 10 mandados de busca e apreensão e uma prisão temporária; entre os alvos estavam bens apreendidos em endereço associado ao senador Ciro Nogueira, em Brasília. A linha investigativa aponta repasses mensais de R$ 500 mil ao entorno político de Nogueira, conforme informações já divulgadas pela polícia.
Na esteira das diligências, o deputado Rogério Correia (PT-MG) publicou nas redes sociais críticas ao que chamou de 'acordão' no Congresso, atribuindo à articulação parlamentar a intenção de barrar a criação de uma CPMI sobre o Caso Master. Correia citou nominalmente Ciro Nogueira e relacionou votações recentes — incluindo debates sobre dosimetria penal e vetos — a negociações que, em sua visão, teriam servido para proteger interesses investigados.
A alegação do parlamentar, feita sem apresentar provas públicas no momento, tem efeito político imediato: reforça pedidos por investigação parlamentar e amplia a pressão sobre líderes que participaram das costuras no plenário. A ligação entre investigação criminal e negociação legislativa, ainda que em tese, deteriora o ambiente de confiança e dá munição à oposição, que pode usar o episódio para questionar pactos e acordos recentes.
Enquanto a PF segue a apuração, a combinação entre operações policiais e acusações de conivência política tende a manter o tema no centro do debate em Brasília. Para o governo e para aliados, essa dinâmica exige respostas públicas e aumenta o risco reputacional: a continuidade das fases da Compliance Zero pode complicar a narrativa oficial e forçar uma reavaliação de prioridades e alianças à medida que se aproximam decisões com impacto político.