O senador Romário (PL-RJ) anunciou que abrirá mão do salário parlamentar enquanto estiver nos Estados Unidos acompanhando a Copa do Mundo. A medida, comunicada à Presidência do Senado, terá efeito retroativo de 11 de junho a 19 de julho. Em pronunciamento por videoconferência, o parlamentar disse que devolverá aos cofres públicos qualquer valor eventualmente recebido no período.

Romário também explicou que optou por não se licenciar do mandato para manter a possibilidade de votar, por exemplo, a proposta de emenda à Constituição que extingue a escala de trabalho 6x1. A viagem, iniciada em 10 de junho, e a atuação simultânea como comentarista esportivo na CazéTV provocaram críticas nas redes sociais e entre integrantes do Congresso. A assessoria do Senado já havia informado que não há impedimento legal, e o senador avisou que se trata de compromissos pessoais, não de missão oficial.

A renúncia temporária ao salário atenua o custo político imediato, mas não encerra o debate sobre compatibilidade de papéis e sobre a efetividade do exercício do mandato à distância. A posição de Romário acende alerta sobre limites e normas para práticas como acumulação de atividades públicas e privadas, e sobre a necessidade de regras mais claras para controle e transparência quando parlamentares trabalham no exterior.

No plano político, a decisão reduz parte da pressão simbólica, mas mantém vivo o custo reputacional: ao insistir na votação remota, o senador preserva influência em pautas sensíveis, ao mesmo tempo em que alimenta questionamentos sobre prioridades e comprometimento com o eleitor. O episódio tende a cobrar do Senado respostas sobre fiscalização e comunicação, e a exigir justificativas concretas do próprio parlamentar.