O ex-senador Romero Jucá (MDB) afirmou nesta segunda‑feira (6/4) que será pré-candidato a deputado federal por Roraima. O anúncio foi feito em entrevista ao programa Rádio Verdade, da rádio Equatorial 93FM, e integra a ofensiva do MDB no estado, que pretende lançar até oito nomes para a Câmara em 2026.
Na entrevista, Jucá defendeu a necessidade de uma bancada mais técnica para reforçar a presença política de Roraima em Brasília. A fala busca resgatar o papel tradicional do político experiente como gestor, mas também coloca o ex-parlamentar no centro do debate sobre renovação versus caciquismo, tema sensível entre eleitores que cobram mudança.
Roraima precisa de uma bancada técnica e qualificada para recuperar espaço político e econômico.
O movimento faz parte de uma estratégia local do MDB que articula 25 candidatos para a Assembleia Legislativa e confirmou a ex-senadora Teresa Surita como pré-candidata ao Senado. Surita — citada no material-base como ex-mulher de Jucá — é apresentada pelo partido como exemplo da mescla entre experiência e renovação que o MDB pretende explorar.
O apelido de "montadora de times" ganha tinteiro quando se considera o currículo de Jucá: 24 anos no Senado em três mandatos, passagens por ministérios (Previdência em 2005 e Planejamento em 2016) e atuação como líder do governo em diversas gestões. Em 2018, deixou a liderança no Senado em desacordo com a forma como a crise migratória foi conduzida pelo governo federal em Roraima.
O retorno às urnas ocorre, porém, com pontos de vulnerabilidade. Jucá tornou-se réu em desdobramentos da Operação Lava Jato em 2019 e, em 2022, foi alvo de operação da Polícia Federal que investigava supostas fraudes em convênios com prefeituras de Roraima. As pendências judiciais não impedem a candidatura, mas devem condicioná‑la a um ambiente de maior escrutínio público e político.
Decidimos combinar figuras com experiência administrativa e novas lideranças para formar um time capaz de entregar resultados.
Do ponto de vista eleitoral e partidário, a pré-candidatura representa um cálculo: o MDB tenta capitalizar experiência administrativa e capilaridade local, mas enfrenta o custo reputacional associado ao histórico judicial de Jucá. Para o partido, a aposta pode ampliar a competitividade da chapa em Roraima; para o próprio candidato, significa encarar questionamentos que podem complicar a narrativa oficial e mobilizar opositores e mídia.