A postulação de Romeu Zema (Novo) à Presidência é a tentativa de nacionalizar uma trajetória construída em Minas Gerais. Aos 61 anos, o ex-governador chega à corrida de 2026 após dois mandatos no Palácio da Liberdade, apresentando-se como alternativa liberal-conservadora com forte ênfase na redução do tamanho do Estado e na agenda pró-mercado.
Formado em Administração pela FGV-SP e ligado por décadas ao grupo empresarial da família, Zema diz ter começado a trabalhar aos 11 anos e passou por funções operacionais até chegar ao comando das Lojas Zema, que deixou em 2016. Entrou na política em 2018 pelo Novo e consolidou capital político local ao ser reeleito em 2022 com 56,18% dos votos válidos.
No centro da campanha está o chamado 'Plano Implacável', que reúne propostas de privatizar todas as empresas estatais, promover uma ampla reforma administrativa para enxugar ministérios e cargos comissionados e implantar um regime alternativo à CLT, privilegiando acordos entre empregadores e empregados. O programa reafirma uma visão de mercado com menos presença estatal e maior ênfase em eficiência administrativa.
Na área de segurança, Zema cita a experiência de Nayib Bukele como referência, embora afirme rejeitar medidas extremas, como prisões sem mandado. Seus objetivos declarados incluem elevar o 'custo do crime', retomar territórios sob controle de facções e ampliar a infraestrutura do sistema prisional — propostas que prometem repercussão intensa no debate público.
A transposição do sucesso estadual para o plano nacional traz oportunidades e riscos. A plataforma liberal pode atrair eleitores preocupados com responsabilidade fiscal e reforma do Estado, mas também tende a enfrentar resistência de sindicatos, setores públicos e em disputas judiciais sobre vendas massivas de ativos e mudanças trabalhistas. Referir-se a modelos como o de Bukele, mesmo com ressalvas, exige cuidado na articulação política para não gerar dúvidas sobre limites institucionais. O senador Eduardo Girão, como vice, amplia o apelo conservador da chapa, mas a campanha terá de provar que é capaz de construir coalizões e responder ao eleitorado nacional — um desafio central rumo a 2026. Número na urna: 30.