Aos 76 anos, Ronaldo Ramos Caiado chega à disputa presidencial de 2026 com um currículo que mistura medicina, ativismo rural e longa trajetória parlamentar. Natural de Anápolis (GO), formado em Medicina com especialização na França e mestrado pela UFRJ, Caiado ganhou projeção política nos anos 1980 ao presidir a União Democrática Ruralista (UDR), entidade que defendeu a propriedade privada e os interesses do setor agropecuário — laços que permanecem centrais em sua base política.

Ele acumulou cinco mandatos como deputado federal por Goiás a partir de 1991, assumiu em 2015 um mandato no Senado e, em 2018, migrou para o Executivo ao ser eleito governador de Goiás, cargo que reconquistou em 2022. A gestão estadual é o principal argumento da campanha: a candidatura usa resultados em segurança, educação e políticas pró-agronegócio, além de um discurso de responsabilidade fiscal, para transformar experiência local em credencial para Brasília.

A trajetória, porém, carrega sinais de fragilidade política. A candidatura de Caiado passou por uma saída conturbada do União Brasil — onde lançou pré-candidatura em 2025 — e pela filiação ao PSD no início de 2026, processo que incluiu disputa interna pela vaga. A troca de legenda e as resistências dentro de partidos mostram limites na construção de uma base nacional e deixam em aberto a capacidade de formar a coalizão ampla necessária para uma campanha presidencial.

O nome na urna é 55, e Gilberto Kassab aparece como vice na chapa do PSD. Politicamente, Caiado aposta na fidelidade do eleitor do agronegócio e na narrativa de gestor eficiente. O desafio é ampliar esse apelo além do eleitorado regional e rural, enfrentar rivais que também emergem de governos estaduais e transformar experiência municipal e estadual em propostas de governo com alcance nacional — sem que a mudança de partidos e a disputa interna enfraqueçam a sua capacidade de articular apoios em Brasília.