Mais de 384 mil eleitores de Roraima vão às urnas neste domingo para escolher o governador que cumprirá mandato tampão até janeiro de 2027. O pleito suplementar, organizado em cerca de 350 locais de votação, ocorre até as 17h (horário local) e foi convocado após a cassação do então governador Edilson Damião pelo Tribunal Superior Eleitoral, decisão que seguiu entendimento sobre abuso de poder político e econômico.
A disputa reúne o candidato apoiado pelo governador cassado, Arthur Henrique (PL), o atual chefe do Executivo interino, Soldado Sampaio (Republicanos), e a socióloga Nelita Frank (PT). Arthur concorre 'sob judice' devido a decisão do ministro do Supremo que anulou norma do TRE-RR que havia flexibilizado prazos de desincompatibilização, mantendo em aberto o risco de barra judicial mesmo em caso de eventual vitória — uma incerteza que pesa sobre a validade do resultado e sobre a estratégia do campo governista.
O episódio também expôs falhas práticas: o PT precisou substituir a candidata inicialmente indicada, que não havia se afastado a tempo do cargo público, mas seu nome e foto permaneceram nas urnas por falta de prazo para alteração. Do lado institucional, a cassação no TSE por entrega de cestas básicas e repasses sem observância das regras destaca o custo político e legal da prática de clientelismo eleitoral, cujo impacto chega agora às urnas.
Além do pleito em Roraima, cinco municípios realizam eleições complementares para prefeitos com mandatos até 2029. O resultado deste domingo terá efeitos locais e pode repercutir politicamente no estado: além de definir governabilidade imediata, mostrará o peso das decisões judiciais e a capacidade das legendas de recuperar narrativas diante de desgaste e de incerteza jurídica.