O candidato do PL ao governo do Rio de Janeiro, Douglas Ruas, reagiu nesta quinta-feira ao recurso de Eduardo Paes ao Supremo Tribunal Federal e criticou a transferência da disputa para o Judiciário. A reação surge após decisão do Tribunal Superior Eleitoral que anulou votos de Anthony Garotinho (Republicanos) e determinou retotalização — procedimento que, segundo cálculos oficiais, levaria Ruas a superar 50% dos votos válidos e encerrar a eleição no primeiro turno. A nova contagem no TRE-RJ está prevista para sábado.
Ruas afirmou que a decisão do TSE é clara e precisa ser respeitada, e disse representar um “caminho novo” para o estado, em referência à promessa de ruptura com as gestões das últimas décadas. No primeiro turno ele obteve 49,27% dos votos válidos, contra 42,76% de Paes; Garotinho teve 3,17% — votos que permaneceram na urna porque a exclusão foi decidida pelo TRE-RJ após o fechamento do sistema. A coligação de Paes alega aguardar manifestação do STF e insiste na realização do segundo turno.
A disputa jurídica expõe um dilema político: enquanto Ruas busca a confirmação rápida do resultado e se projeta como governador em exercício, Paes tenta preservar a tese do segundo turno por via judicial. A estratégia do ex-prefeito corre o risco de ampliar desgaste político ao dar à sua oposição a imagem de que recorre ao Judiciário para alterar um quadro que parte do eleitorado entende como decidido nas urnas — uma narrativa que pode complicar a recuperação de votos e a credibilidade perante eleitores indecisos.
Há também implicações institucionais e de governabilidade. Caso a retotalização confirme a vitória de Ruas, caberá ao TRE-RJ e ao TSE encerraram a controvérsia e ao eventual STF aceitar uma intervenção tardia na agenda eleitoral. No plano prático, a proximidade entre Ruas e o atual governo do PL — ele foi secretário das Cidades no período em que Cláudio Castro ocupou o Palácio Guanabara — abre o debate sobre continuidade administrativa e responsabilidades. A decisão de sábado será, portanto, teste tanto para as instâncias eleitorais quanto para a narrativa de legitimidade que cada lado tentará construir.