A uma semana do segundo turno, milhares foram às ruas ontem em atos espalhados por diversas capitais para demonstrar fôlego eleitoral. De um lado, manifestações pró-Lula com concentração em pontos como a Esplanada dos Ministérios, e do outro atos pró-Flávio Bolsonaro, com presença do candidato na Avenida Paulista. As mobilizações têm um alvo claro: conquistar indecisos e eleitores que se abstiveram no primeiro turno — grupo que somou 21% do eleitorado.
Em Brasília, a atividade organizada por movimentos de esquerda ocupou parte da Esplanada e seguiu em caminhada em direção ao Congresso, mesmo sob forte chuva. O ato contou com participação de artistas e com mobilização digital, apontada pelos organizadores como ferramenta para engajar o eleitor jovem e reverter resultados locais, como a disputa pelo governo do Distrito Federal. Houve ainda cartazes críticos a empresas de tecnologia e a adversários, numa evidência de tom mais polarizado do evento. O presidente, porém, optou por não participar pessoalmente das manifestações.
Na Avenida Paulista, Flávio esteve presente e percorreu um espaço ocupado por apoiadores que ocuparam vários quarteirões, marca de tentativa de demonstrar força de rua. A presença direta do candidato contrastou com a estratégia petista, que apostou em artistas e lideranças para alimentar a narrativa pública e digital. Em seguida, as campanhas se voltaram para o primeiro debate entre os dois, evento que pode capitalizar — ou dissipar — a energia gerada nas ruas.
Do ponto de vista eleitoral, atos volumosos funcionam como indicador de intensidade de campanha, mas não garantem transferência automática de votos. A tarefa prática das coordenações agora é transformar mobilização em comparecimento às urnas e em conversão de indecisos; nisso entram logística, mensagens para o eleitor de centro e o apelo para jovens. Para o governo e para a oposição, a semana decisiva exige tradução das ruas em números concretos, sob o risco de que o barulho de manifestações termine descolado do resultado nas urnas.