O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, enviou resposta oficial à carta do senador Flávio Bolsonaro, reafirmando a posição de Washington sobre um processo aberto pelo Escritório do Representante de Comércio (USTR). No documento, datado de 23 de junho, Rubio confirma que o representante comercial Jamieson Greer considerou determinadas políticas brasileiras "desarrazoadas ou discriminatórias", resultado que sustenta a proposta de medidas corretivas hoje em consulta pública — entre elas a possibilidade de aplicar tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.
Além da disputa comercial, Rubio dedicou parte da correspondência a temas de segurança: agradeceu o apoio de Flávio à decisão dos EUA de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas aos olhos da legislação norte-americana. O secretário justificou a medida como instrumento para atingir redes financeiras e de tráfico que, segundo ele, representam ameaça conjunta para os dois países.
O trecho que mais repercutiu no Brasil, no entanto, foi o reconhecimento do "otimismo" do senador sobre as eleições de outubro e a menção de que Flávio teria colocado uma equipe de transição à disposição dos EUA caso venha a ser eleito. A passagem gerou críticas imediatas nas redes sociais e manifestações de adversários políticos que interpretaram a oferta como vinculação excessiva a interesses norte-americanos e como argumento para desgastar a candidatura do parlamentar.
A troca de mensagens deixa em evidência dois vetores de pressão sobre o quadro político: o risco concreto de efeitos econômicos sobre setores exportadores brasileiros se as tarifas forem adotadas e o impacto simbólico e eleitoral do trecho sobre transição. Para o governo e para aliados de Flávio, o desafio será neutralizar a narrativa de que a aproximação com Washington implica perda de autonomia; para a oposição, trata-se de munição política para acusar o pré-candidato de subordinação a interesses externos.
Do ponto de vista institucional, a carta reforça que a agenda comercial entre os dois países permanece sensível e sujeita a instrumentos legais dos EUA, enquanto o debate político interno agora incorpora as consequências externas desse conflito. A situação acende alerta para a campanha e amplia desgaste sobre a imagem pública do senador, sem, contudo, alterar automaticamente o curso do processo eleitoral — trata-se de um retrato do momento que pode evoluir conforme desdobramentos do procedimento do USTR e da reação das candidaturas.