O programa de governo apresentado pelo PCO e por Rui Costa Pimenta reúne medidas de forte intervenção do Estado em setores-chave e ampliação de direitos trabalhistas. Entre os pontos de maior destaque estão a estatização do ensino privado, a contratação massiva de profissionais de saúde via Mais Médicos, a abertura imediata de cursos superiores sem vestibular e um conjunto de reajustes salariais e de benefícios que prometem impactos substanciais nas contas públicas.
No campo econômico, o PCO propõe cancelamento de privatizações, fim da independência do Banco Central, impostos apenas sobre ganhos de capital e grandes fortunas, redução de 50% no preço dos combustíveis e aumento emergencial de 50% de todos os salários, além de piso mínimo de R$ 7,5 mil para o salário mínimo. Na esfera social, defende-se assentamento imediato de milhões de sem-terra, proibição de despejos, anulação de dívidas dos trabalhadores e jornada de trabalho reduzida com aposentadoria precoce, entre outras medidas.
As propostas levantam questões práticas e institucionais: a escala das mudanças exige recursos extraordinários, alterações legais e, em muitos casos, decisões contrárias ao arcabouço jurídico vigente — como no caso da estatização do ensino privado e da suspensão de despejos. Do ponto de vista macroeconômico, medidas como aumentos salariais generalizados, controle de preços e fim da independência do BC tendem a gerar pressões inflacionárias e reações de mercado, alternando riscos fiscais e de financiamento que o programa não detalha de forma pública.
Politicamente, o conjunto reforça o perfil radical do PCO e sinaliza pouca convergência com o centro do espectro político, o que reduz a probabilidade de implementação em cenários de coalizão. As propostas também ampliam o debate sobre prioridades e custo político das promessas: tratam-se de medidas com apelo a parcelas da base social, mas que, se levadas adiante, exigiriam escolhas difíceis sobre tributação, gasto e mudanças institucionais que podem acender alerta entre investidores, parlamentares e o Judiciário.