A Comissão de Finanças e Tributação (CFT) da Câmara promove, nesta segunda-feira, a sabatina dos sete deputados que concorrem à vaga de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). A etapa, prevista no novo rito adotado pela Mesa, permite que cada postulante apresente currículo e responda a manifestações dos parlamentares. A decisão final sobre o nome será tomada em votação secreta no plenário da Casa, marcada para terça-feira.
Entre os candidatos, o deputado Odair Cunha (PT-MG) figura como o principal nome, respaldado por um acordo político costurado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que resultou no suporte formal de 12 bancadas. Apesar disso, a costura não alcançou um consenso amplo: partidos de centro e da direita, como PSD e União Brasil, mantiveram candidaturas próprias e reduziram o alcance prático do entendimento.
A inclusão da sabatina no rito é uma mudança relevante: amplia a exposição pública dos postulantes, mas não altera o caráter não vinculante da comissão. Na prática, a votação secreta no plenário é o elemento que preserva a imprevisibilidade do processo, abrindo espaço para votações dissidentes e desvios das orientações partidárias. Esse fator acende alerta sobre a efetividade da articulação de Motta e sobre a capacidade do bloco que declara apoio de transformar compromisso formal em votos na urna.
A vaga surgiu com a aposentadoria compulsória do ministro Aroldo Cedraz, que deixou o TCU ao completar 75 anos. A escolha do novo integrante tem implicações concretas para a fiscalização do gasto público: o Tribunal é peça-chave no controle das contas federais e sua composição influencia decisões técnicas e políticas. Além do escrutínio na Câmara, o nome aprovado ainda terá de passar pelo crivo do Senado, o que mantém a disputa em aberto e transforma o resultado desta semana em um termômetro da correlação de forças entre bancadas.