A Comissão de Constituição e Justiça do Senado começou nesta quarta-feira a tramitação da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal. O relator, senador Weverton Rocha (PDT-MA), apresentou seu parecer, mas um pedido de vista coletivo interrompeu a deliberação. Com isso, a sabatina e a votação na CCJ foram reagendadas para 28 de abril — antecipação de um dia motivada por ajustes no calendário em razão de um feriado — e, se aprovado, o nome seguirá ao plenário da Casa.
No relatório, Weverton sublinha o perfil conciliador de Messias à frente da Advocacia-Geral da União, destacando a ampla adoção de acordos judiciais e extrajudiciais como instrumentos de gestão e de redução de passivos. Entre os pontos usados para justificar a indicação estão dados sobre a diminuição de riscos fiscais atribuída à articulação entre AGU, Ministério da Fazenda e Planejamento; o documento menciona, como resultado da gestão, redução significativa de exposições judiciais projetadas para os próximos anos.
A tramitação chega após quase cinco meses do anúncio da nomeação pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, período em que nos bastidores foram registradas resistências no Senado. Parte desse desconforto vinha do próprio presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), que chegou a defender alternativa para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso. O pedido de vista coletivo e o adiamento formalizam uma hesitação que já se anunciava e expõem um custo político para a indicação do Planalto.
Além do exame técnico do currículo — com formação acadêmica sólida e longa carreira pública —, a sabatina servirá para medir até que ponto a experiência administrativa na AGU será convertida em argumentação a favor da nomeação para o Judiciário. Para o governo, a resistência senatorial e a demora elevam o risco de desgaste político e obrigam a base a intensificar a articulação. A decisão final na CCJ e a futura votação em plenário continuarão a ser acompanhadas como termômetro das forças e fissuras dentro do Congresso.