A sabatina de Jorge Messias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, marcada para esta quarta-feira (29/4), é a etapa mais importante do rito que pode confirmar seu nome ao Supremo Tribunal Federal. Indicada pelo presidente Lula, a nomeação só foi formalizada em abril, após meses de articulação do governo para consolidar os votos necessários — sinal de que a confirmação não é tratada como automática no Congresso.

A audiência será relatada pelo senador Weverton Rocha (PDT-MA). Na prática, Messias terá de responder a perguntas sobre sua formação jurídica, posicionamentos em temas sensíveis e trajetória profissional em uma sessão que pode se estender por horas. Em seguida, a própria CCJ vota o parecer: basta maioria simples dos presentes para que a indicação siga ao plenário.

É no plenário, porém, que se concentra a pressão real. A votação é secreta, e o indicado precisa de pelo menos 41 votos favoráveis — maioria absoluta da Casa — para ser confirmado. O sigilo na urna amplia a imprevisibilidade e torna decisivas as negociações nos bastidores, porque permite que senadores votem sem a exposição de filiação partidária ou orientação pública.

Enquanto o governo busca assegurar a margem mínima, a oposição tenta consolidar um bloco capaz de impor uma derrota que, se concretizada, representaria um revés político importante para o Planalto. Uma derrota neste patamar teria custo simbólico e prático: exporia fragilidade na articulação presidencial e complicaria futuras indicações, além de provocar desgaste político em um momento de tensões institucionais.

A possibilidade de votação no mesmo dia da aprovação na CCJ aumenta a urgência das negociações. Para o governo, o desafio é traduzir articulações em votos suficientes sem recorrer a promessas ou concessões públicas que elevem o custo político; para a oposição, o objetivo é explorar contradições e indecisões. O resultado definirá não apenas um nome para o STF, mas o balanço de forças no Senado.