A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado realiza, nesta quarta-feira, a partir das 9h, a sabatina de Jorge Messias, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso. Ex-advogado‑geral da União, Messias terá de explicar sua trajetória profissional e posicionamentos sobre temas institucionais antes de seguir, se aprovado, para votação no plenário.
A etapa na CCJ é decisiva: entre os 27 titulares são necessários ao menos 14 votos favoráveis para que a indicação avance. A votação é secreta — tanto na comissão quanto no plenário, onde serão exigidos 41 dos 81 senadores — um formato que pode favorecer acordos discretos e proteger senadores de pressões públicas. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, informou a possibilidade de levar a matéria ao plenário ainda nesta quarta-feira.
O relatório do senador Weverton (PDT‑MA) é favorável e ressalta a formação acadêmica e a trajetória administrativa de Messias, com passagens por mais de um órgão público. Apesar disso, a oposição já sinalizou resistência. O líder oposicionista Rogério Marinho (PL‑RN) criticou a escolha nas redes sociais, e PL e Novo concentram esforços contrários à indicação na comissão. Um dos pontos explorados pelos críticos envolve um parecer assinado por Messias quando ocupou a AGU, sobre matéria sensível à opinião pública.
Politicamente, a sabatina funciona como termômetro: uma aprovação tranquila consolida a capacidade do governo de emplacar nomes no Judiciário; uma rejeição ou votação apertada exporia desgaste e abriria brecha para narrativas de fragilidade. O caráter secreto da votação reduz visibilidade imediata, mas não impede que o resultado gere desgaste político, pressões sobre aliados e debate público sobre critérios para indicações ao Supremo.
Além de Messias, a CCJ ouvirá Margareth Rodrigues Costa, indicada ao TST, e Tarcijany Linhares Aguiar Machado, para a chefia da DPU. O desfecho na comissão e o comportamento das bancadas nos votos terão efeito direto na agenda institucional do Congresso e na agenda política do governo nos próximos dias.