Menos de 24 horas antes da sabatina de Jorge Messias na Comissão de Constituição e Justiça, o governo montou uma operação para reduzir incertezas e assegurar a aprovação do indicado ao Supremo. O movimento foi impulsionado pelo encontro de Messias com o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, realizado na residência do ministro Cristiano Zanin — reunião que, além de abrir canais de diálogo, provocou surpresa e desconforto dentro da base, segundo aliados. A repercussão do encontro mostrou fissuras na coordenação: nem todos os líderes foram informados, o que expôs fragilidades na estratégia política do Palácio.
Com a contagem interna de votos vista como otimista, mas sem margem confortável, o governo trabalha para atingir o piso necessário de 41 votos no plenário. Para minimizar riscos na primeira etapa, houve substituições na composição da CCJ — a chamada ‘dança das cadeiras’ — com o objetivo explícito de reduzir a presença de parlamentares críticos e ampliar o espaço de aliados. A manobra revela tanto a preocupação com um placar apertado quanto a aposta em controle institucional como instrumento político para evitar desgaste público na sabatina.
A articulação ganhou reforços formais e informais: o líder Jaques Wagner coordena a operação no Senado, o ministro da Defesa, José Múcio, tem atuado junto a segmentos mais conservadores, e o vice-presidente Geraldo Alckmin reuniu senadores e lideranças para consolidar apoio. Houve ainda tentativas direcionadas sobre bancadas estratégicas, como a evangélica, e costura com PSB e partidos de centro. Mesmo assim, a leitura governista admite a possibilidade de surpresas por parte de senadores cujo voto tem sido volátil em recentes indicações ao STF.
Do outro lado, a oposição busca transformar a sabatina em palco para críticas mais amplas ao Supremo, com foco em temas sensíveis como aborto e especialmente no caso do Banco Master, apontado como prova de alegadas distorções na Corte. Espera-se uma sessão longa e tensa, que poderá ultrapassar o exame do currículo e testar a capacidade do indicado de manter discurso equilibrado sem aprofundar confrontos. Politicamente, o episódio acende um sinal de atenção: um placar apertado ou complicações na CCJ podem ampliar o custo político da indicação e reforçar pressões sobre a coordenação governista.