Brasília — A Câmara dos Deputados promove nesta quinta-feira (9/4) a sabatina dos candidatos à vaga aberta no Tribunal de Contas da União (TCU), etapa considerada decisiva antes da eleição em plenário, prevista para a próxima terça (14). O cronograma foi confirmado pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), após reunião de líderes. Para blindar o processo, será publicado um edital formalizando as fases, e as cabines de votação já foram instaladas.
A sabatina tem função prática: consolidar apoios, testar a robustez das candidaturas e expor eventuais fragilidades antes da votação por maioria simples, sem segundo turno. Deputados avaliam o desempenho dos concorrentes em aspectos técnicos e políticos, e o resultado do encontro tende a influenciar coligações e negociações até a hora do voto.
A sabatina é a etapa-chave para medir a viabilidade política das candidaturas ao TCU.
Nos bastidores, a disputa está fortemente marcada por um acordo político firmado em 2024 entre Hugo Motta e o PT. Pelo entendimento, o partido apoiaria a eleição de Motta à presidência da Câmara em troca da chancela ao nome do deputado Odair Cunha (PT-MG) para a vaga no TCU. Motta, por sua vez, aposta na fragmentação das candidaturas de direita para facilitar a eleição do indicado pelo PT.
Do lado da direita, sinalizaram intenção Adriana Ventura (Novo-SP), Hugo Leal (PSD-RJ), Elmar Nascimento (União-BA) e Danilo Forte (PP-CE). No PL, houve movimentação em torno de Hélio Lopes (RJ), mas a tendência é que a legenda lance Soraya Santos (RJ), mais moderada e já candidata em 2023. O PT também busca costurar apoios em partidos como MDB e Republicanos, o que pode compensar vantagens numéricas dispersas no campo adversário.
A multiplicidade de candidaturas sem segundo turno pode, tecnicamente, pulverizar votos e favorecer Odair Cunha — cenário que explicita a aposta de Motta. Ainda assim, o histórico recente de eleições para o TCU não favorece automaticamente candidatos petistas: disputas anteriores, como as de 2005 e 2006, mostraram resistência do plenário a indicações do partido. O desfecho da semana deverá apontar não só o nome vencedor, mas o custo político do acordo e a capacidade de articulação de cada corrente.
A fragmentação do campo da direita pode acabar favorecendo o nome apoiado pelo PT.