Brasília, DF — A SAF do Botafogo pediu ao Supremo Tribunal Federal a suspensão integral dos efeitos da medida provisória que proíbe patrocínios de casas de apostas, em audiência pública realizada nesta terça (3/11). O clube afirmou que o contrato com uma 'bet' representava o maior patrocínio de sua história e que a receita bancava o futebol profissional, as categorias de base e o feminino.
O advogado Bichara Abidão Neto explicou que o plano aprovado na recuperação judicial considerava o fluxo de caixa gerado pelo patrocínio. Em razão disso, a defesa solicitou que o STF suspenda urgentemente a aplicação da MP e leve em conta o calendário do futebol e a duração dos contratos para permitir uma transição organizada.
A proibição chinesa parece ter deslocado a demanda por apostas para o exterior, em vez de suprimi-la
Outro representante da SAF, Udo Varejão Secklemann, admitiu argumentos públicos sobre redução da ludopatia e do mercado ilegal, mas afirmou que não há exemplo de país que tenha proibido totalmente as apostas online. Segundo ele, entre os 38 membros da OCDE mais de 90% optaram pela regulamentação, e mais de 75% dos países do G20 seguiram caminho semelhante, excluídas países como Arábia Saudita e Indonésia por motivos religiosos.
Secklemann também citou que a proibição chinesa, vigente desde 1949, não eliminou o mercado ilegal de apostas, mencionando relatório da ONU que estima o volume anual entre US$ 340 bilhões e US$ 1,7 trilhão. O pedido de suspensão será avaliado pelos ministros do STF e pode afetar a execução do plano de recuperação do clube.