A saída de José Roberto Arruda da disputa pelo Palácio do Buriti redesenhou o tabuleiro eleitoral do Distrito Federal, mas não deu vitória automática à atual governadora. Em entrevista ao CB.Poder, o CEO da Opinião Inteligência Política, Alexandre Garcia, afirmou que Celina Leão cresce em torno de cinco pontos percentuais com a saída de Arruda — avanço que, segundo o próprio analista, está acima da margem de erro do levantamento. Ao mesmo tempo, parte dos votos do ex-candidato tende a migrar para nomes como Paula Belmonte e Leandro Grass, preservando um grau de fragmentação que dificulta uma conclusão precoce sobre o resultado final.

O levantamento presencial, com 1.132 entrevistas em 31 regiões administrativas e registrado no TSE (DF-03622/2026), traz também um sinal inquietante para a gestão: a aprovação e a desaprovação à administração de Celina se igualam na casa dos 43%. Esse empate técnico sugere limite de crescimento espontâneo e aponta para uma dificuldade real de assegurar um triunfo ainda no primeiro turno. Em termos práticos, os números expõem que a preferência por gestão — critério citado por Alexandre Garcia como central na escolha por governador — não vem sendo suficiente para consolidar uma frente clara e confortável para a governante.

O cenário provável é de competição aberta e com forte potencial de nacionalização caso haja segundo turno. O próprio Alexandre Garcia avaliou que a participação mais efetiva do presidente Lula, apoiando Leandro Grass, tende a elevar o desempenho deste último em uma disputa definida em duas etapas. Essa possibilidade redesenha cálculos políticos: Celina mantém vantagem momentânea, mas a entrada de atores nacionais e a redistribuição dos eleitores de Arruda aumentam as chances de um confronto direto, com maior pressão sobre alianças e mensagens de campanha.

Do ponto de vista pragmático, a pesquisa funciona como um sinal de alerta para o governo: a vantagem registrada não elimina riscos e impõe necessidade de correção de rota. Com crescimento medido e aprovação dividida, Celina precisa transformar vantagem percentual em coalizão territorial e narrativa de gestão que reverta percepção negativa ou estagnada. Para a oposição, a dispersão dos votos de Arruda abre oportunidades de convergência tática; para o eleitor, mantém a disputa viva. Em suma, os dados são um retrato do momento, não uma sentença — e dizem que a corrida pelo Buriti seguirá competitiva e sujeita a reconfigurações.