No debate desta sexta-feira, a política do salário mínimo foi usada como peça central por ambos os candidatos. Lula atribuiu ao legado do PT a prática de reajustes acima da inflação e afirmou que, sem os governos do partido, o piso hoje estaria em R$ 900 — um recorte pensado para destacar ganhos sociais obtidos nas gestões petistas.
Flávio Bolsonaro rebateu destacando custos e efeitos da tributação: disse que não adianta elevar nominalmente o salário se a carga tributária reduz o poder de compra e atribuiu o endividamento atual ao governo que apoia o presidente. O senador prometeu, porém, manter reajustes reais do mínimo e criticou propostas que considerou inspiradas por modelos como o do presidente argentino Javier Milei, conforme acusação de Lula.
O choque de versões revela dois vetores da campanha: Lula busca consolidar um discurso de proteção de direitos sociais e ganhos salariais; Flávio tenta conciliar promessa de maior piso com discurso de ajuste fiscal e corte de despesas. A promessa de reajustar acima da inflação, feita em meio a críticas sobre carga tributária e dívida, impõe uma tensão prática entre estímulo de renda e restrições fiscais.
Do ponto de vista eleitoral, o tema tende a polarizar eleitores preocupados com renda e custo de vida, ao mesmo tempo em que força os candidatos a detalhar como financiar eventuais aumentos. A troca no palco indica que a disputa econômica continuará a definir o tom da campanha, com perguntas concretas sobre sustentabilidade fiscal e impacto real no bolso do eleitor.