O deputado federal Ricardo Salles, pré-candidato ao Senado pelo estado de São Paulo, intensificou neste sábado as críticas ao PL e ao chamado Centrão durante o Encontro Nacional do Novo, realizado na capital paulista. Segundo Salles, a entrada de lideranças de direita na legenda, inclusive o ex‑presidente Jair Bolsonaro, não mudou a configuração interna: o comando permanece nas mãos do presidente nacional Valdemar Costa Neto e de práticas que ele classificou como fisiológicas.
No discurso, o parlamentar atacou a estratégia adotada por setores do PL nas disputas pelas Mesas Diretoras da Câmara e do Senado, afirmando que representantes da direita fizeram concessões ao Centrão sem obter contrapartidas políticas significativas. A fala, recheada de expressões ásperas, também mirou o deputado André do Prado, apontado por Salles como exemplo do que chamou de incoerência ideológica no campo que se dispõe a representar.
Salles reforçou ainda a prioridade política de derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, criticou a atuação do Centrão como problema estrutural e justificou sua filiação ao Novo como escolha por uma legenda que, em sua avaliação, se mantém afastada das práticas de fisiologismo. Também questionou eventuais candidaturas sem vínculo com São Paulo, em referência a nomes fora do estado.
Do ponto de vista político, o discurso combina efeito mobilizador para a base do Novo com riscos claros para a construção de alianças mais amplas em São Paulo. A confrontação aberta com o PL e o Centrão pode solidificar a identidade anti‑establishment que Salles busca apresentar, mas também tende a complicar negociações e ampliar resistências na área política onde o apoio de lideranças locais continua relevante. Para o PL, as críticas expõem nova fratura na tentativa de reordenamento após a entrada de figuras da direita.