Em entrevista ao programa CB.Poder, Ricardo Salles (Novo-SP) afirmou que os diálogos vazados entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) e o empresário Daniel Vorcaro provocaram um desgaste imediato no campo conservador. Para o deputado e pré-candidato ao Senado, a associação com Vorcaro cria um desconforto político que pode comprometer a viabilidade eleitoral de Flávio, ao mesmo tempo em que amplia a incerteza sobre a construção de uma alternativa unificada para 2026.
Salles, que declarou apoio presidencial ao ex-governador Romeu Zema, ressaltou que, apesar de Flávio ainda aparecer à frente entre nomes ligados ao bolsonarismo, os áudios trouxeram prejuízo político imediato. Ele disse não ser "nada confortável" ver um candidato da direita associado a alguém que, segundo ele, se tornou "a figura mais tóxica do cenário político brasileiro". O diagnóstico expõe uma preocupação estratégica: ligações pessoais ou financeiras capazes de contaminar candidaturas podem reduzir a capacidade da direita de consolidar uma frente competitiva.
não é nada confortável
Na mesma entrevista, Salles fez avaliações sobre outros atores da cena política. Reconheceu o espaço próprio construído por Michelle Bolsonaro em pautas sociais e no PL Mulher, embora tenha ponderado que eventual candidatura dependa da família e do partido. Criticou ainda a tentativa de Eduardo Bolsonaro de vincular sua imagem a medidas tarifárias anunciadas pelos Estados Unidos, afirmando que nenhum brasileiro deveria defender sanções comerciais ao próprio país. Por fim, confirmou apoio à reeleição de Tarcísio de Freitas em São Paulo e renovou a crítica ao Centrão, que, segundo ele, opera por ocupação de cargos e influência sobre estruturas estatais.
O diagnóstico de Salles tem implicações práticas: no curtíssimo prazo, a divulgação dos áudios pressiona a desenvoltura eleitoral de Flávio e força deslocamentos de apoio dentro do eleitorado conservador. No médio prazo, cria um espaço de debate interno sobre critérios de seletividade de alianças e reputação. Do ponto de vista da oposição e do mercado político, a cena indica que casos de contaminação por figuras polêmicas continuam a ser um fator relevante na composição de candidaturas e na avaliação de risco eleitoral para 2026.