Samara Martins da Silva Feitosa, 38 anos, oficializou em julho sua candidatura à Presidência pela Unidade Popular (UP) e se tornou a mais jovem entre os 13 concorrentes nas eleições de 2026. Militante desde o ensino médio, ela chega ao cenário nacional com um discurso explícito de construção do socialismo e foco nas lutas trabalhistas e feministas — roteiro que visa representar uma nova geração política no país.
Nascida em Belo Horizonte e radicada em Natal, Samara construiu a carreira política no movimento estudantil: atuação na União da Juventude Rebelião (UJR), presidência da União dos Estudantes Secundaristas Potiguares (UESP) e mandato como diretora de mulheres da UNE. Formada em odontologia pela UF-RN, passou a atuar no SUS após aprovação em concurso público em Parnamirim, enquanto se envolvia em movimentos de moradia e coordenação de coletivos de mulheres e negras. Em 2019 integrou a UP e assumiu a vice-presidência nacional; foi candidata a vereadora em 2020 e vice de Leonardo Péricles em 2022. Sua chapa para 2026 tem Raquel Bricio, presidente do Sindiporto PA/AP, como vice; o número da candidatura é 80.
O programa de Samara é marcado por propostas de ruptura: nacionalização do sistema bancário e reestatização de empresas privatizadas, taxação sobre grandes fortunas, redução da jornada de trabalho para seis horas e combate à pejotização. No terreno institucional, defende medidas controversas, como a eleição popular de juízes e tribunais, e pautas sociais como a descriminalização do aborto. O conjunto de propostas busca redefinir papel do Estado na economia e na justiça, mas também levanta questões práticas sobre custo fiscal, mecanismos de transição e impactos sobre investimentos e contratos já estabelecidos.
Politicamente, a candidatura da UP tem efeito duplo: reforça a presença de um discurso radical no debate nacional e testa a capacidade de mobilização de setores sociais organizados. Mas enfrenta limites evidentes de amplitude eleitoral: plataforma radical tende a incomodar economias e frações moderadas da sociedade, e propostas sobre o Judiciário e nacionalizações podem desencadear resistência institucional e debate jurídico intenso. Para além do simbolismo geracional, o desafio de Samara é transformar militância e pautas específicas em apoios mais amplos sem perder a coerência de seu projeto.